Racismo de negros contra brancos ganha força com identitarismo, por Antônio Risério


 Racismo de negros contra brancos ganha força com identitarismo


O dogma reza que, como pretos são oprimidos, não dispõem de poder econômico ou político para institucionalizar sua hostilidade antibranca. É uma tolice. Ninguém precisa ter poder para ser racista, e pretos já contam, sim, com instrumentos de poder para institucionalizar o seu racismo.

A história ensina: quem hoje figura na posição de oprimido pode ter sido opressor no passado e voltar a ser no futuro. Muçulmanos escravizaram e mataram multidões de pretos durante séculos de tráfico negreiro na África.

No entanto, a visão atualmente dominante, marcada por ignorância e fraudes históricas, quando não pode negar o racismo negro, argumenta que o racismo branco do passado desculpa o racismo preto do presente. Mas o racismo é inaceitável em qualquer circunstância. A universidade e a elite midiática, porém, negaceiam.

Em "Coloring the News", William McGowan lembra uma série de ataques racistas de pretos contra brancos no metrô de Washington. Em um deles, um grupo de adolescentes negros gritava: "Vamos matar todos os brancos!". O Washington Post, contudo, não tratou o conflito como conduta racial criminosa e sim como "confronto de duas culturas".

McGowan sublinha que a recusa em reconhecer a realidade do racismo antibranco é particularmente evidente na cobertura midiática de crimes de pretos contra brancos.

De nada adianta a motivação racial ser ostensiva, como no caso de ataques a idosos brancos no Brooklyn, quando um membro da gangue preta declarou: "Fizemos um acordo entre nós de não roubar mulheres pretas. Só pegaríamos mulheres brancas. Foi um pacto que todos fizemos. Só gente branca".

O "detalhe" não foi mencionado nas reportagens do jornal The New York Times, e a postura foi a mesma quando três adolescentes brancos foram atacados por uma gangue de jovens pretos no Michigan. Os rapazes pretos curraram a moça branca e fuzilaram um jovem branco.

O New York Times não indigitou o caráter racial do crime e o relegou a uma materiazinha de um só dia. Se os papéis fossem invertidos, uma gangue de jovens brancos currando uma mocinha preta e assassinando um jovem negro, o assunto seria explorando amplamente —e em mais de uma reportagem. Lá, como aqui, o "double standard" midiático é um fato.

Merece destaque o racismo preto antijudaico, que não é de hoje. Em Crown Heights, no verão de 1991, os pretos promoveram um formidável quebra-quebra que se estendeu por quatro dias, durante o qual gritavam "Heil Hitler" em frente a casas de judeus.

Mas a elite midiática, do New York Times à ABC, contornou sistematicamente o racismo, destacando que séculos de opressão explicavam tudo.

Vemos o racismo negro também contra asiáticos. Na história racial de Nova York, negros aparecem tanto como vítimas quanto como agressores criminosos. Judeus e asiáticos, ao contrário, quase que só se dão mal.

Em um boicote preto a um armazém do Brooklyn, cujos proprietários eram coreanos, os pretos foram inquestionavelmente racistas. Diziam aos moradores do bairro que não comprassem coisas de "pessoas que não se parecem com nós" e chamavam os coreanos de "macacos amarelos".

Curiosamente, por mais de três meses, a grande mídia não deu a menor atenção ao boicote. Um jornalista do New York Post denunciou: "Se fosse boicote da Ku Klux Klan a um armazém de um negro, logo se tornaria assunto nacional. Por que as regras são outras quando as vítimas são coreanas?".

Não são poucos, de resto, os comerciantes coreanos que perderam a vida em enfrentamentos com "consumidores" negros. Há casos de militantes pretos extorquindo amarelos. Extorsão e violência racistas, é claro.

Sob a capa do discurso antirracista, o racismo negro se manifesta por meio de organizações poderosas como a Nação do Islã, supremacista negra, antissemita e homofóbica.

Discípula, de resto, de Marcus Garvey —admirador de Hitler (seu antissemitismo chegou a levá-lo a procurar uma parceria desconcertante com a Ku Klux Klan) e de Mussolini—, que virou guru de Bob Marley e do reggae jamaicano, fiéis do culto ao ditador Hailé Selassié, o Rás Tafari, suposto herdeiro do Rei Salomão e da Rainha de Sabá.

A propósito, a Frente Negra Brasileira, na década de 1930, não só fez o elogio aberto de Hitler, inclusive tratando Zumbi como um "Führer de ébano", como apoiou o Estado Novo de Getúlio Vargas, versão tristetropical do fascismo italiano —e o próprio Abdias do Nascimento, guru de nossos atuais movimentos negros, foi militante integralista.

O líder da Nação do Islã, Louis Farrakhan, sempre exibiu também um franco e ostensivo racismo antijudaico. Hoje, o Black Lives Matter pede a morte dos judeus em manifestações públicas.

Em um artigo recente no jornal Le Monde ("Biden, au coeur du combat identitaire"), Michel Guerrin sublinhou que o "antissemitismo está bem presente no poderoso movimento Black Lives Matter".

 

A turma discursa contra o "genocídio" palestino, "organiza manifestações onde podemos ouvir ‘matem os judeus’, é próxima do líder da Nação do Islã, Louis Farrakhan, que fez o elogio de Hitler, e tem como cofundadora da sua seção em Toronto, Canadá, Yusra Khogali, que praticamente chegou a pedir o assassinato de brancos".

O racismo antijudaico de pretos pobres dos guetos pode contar com alguma pequena motivação cotidiana, mas o que pesa mesmo é o antissemitismo generalizado nas lideranças da esquerda multicultural-identitária.

Tudo bem criticar o governo de Israel. Os próprios israelenses costumam fazê-lo, vivendo em um regime democrático, ave raríssima no Oriente Médio. Outra coisa é pregar o desaparecimento de Israel, como querem o Irã e alguns movimentos de esquerda. Aqui, o antissemitismo. O ódio multicultural-identitário a Israel parece não ter limites.

Tomo Yusra Khogali —jovem mulata sudanesa que não diz uma palavra sobre as atrocidades de negros contra negros em seu país natal, vivendo antes no Canadá, onde se compraz em xingar a opressão branca— como um caso exacerbado disso tudo.

Ela não só confessou que tem ímpetos de assassinar todos os brancos. Expôs também uma fantasia "acadêmica" que bem pode ser classificada como a primeira imbecilidade produzida por um "neorracismo científico".

Vejam a preciosidade pseudobiológica de madame Khogali: os brancos não passam de um defeito genético dos pretos. "A branquitude não é humana. De fato, a pele branca é sub-humana". Porque a brancura é um defeito genético recessivo. "Isto é fato", afirma solenemente.

Diz que as pessoas brancas possuem uma "alta concentração de inibidores de enzima que suprimem a produção de melanina" e que a melanina é indispensável a uma estrutura óssea sólida, à inteligência, à visão etc.

Enfim, apareceu a mulata racista para inverter o "racismo científico" branco do século 19 — e dizer que os brancos, sim, é que são uma raça inferior. Mas Yusra é apenas um exemplo, entre muitos, e ela teve a quem puxar.

O fato é que não dá para sustentar o clichê de que não existe racismo negro porque a "comunidade negra" não tem poder para exercê-lo institucionalmente. Mesmo que a tese fosse correta, o que está longe de ser o caso, existem já meios para o exercício do racismo negro.

Engana-se, mesmo com relação ao Brasil, quem não quer ver racismo, separatismo e mesmo projeto supremacista em movimentos negros. O retorno à loucura supremacista aparece, agora, como discurso de esquerda.

Se quiserem manter a complacência, podem falar disso como de realidades apenas embrionárias, mas a verdade é bem outra. Militantes pretos, como pastores evangélicos, querem o poder.

Não devemos fazer vistas grossas ao racismo negro, ao mesmo tempo que esquadrinhamos o racismo branco com microscópios implacáveis. O mesmo microscópio deve enquadrar todo e qualquer racismo, venha de onde vier.

Como em um texto do escritor negro LeRoi Jones: "Nossos irmãos estão se movimentando por toda parte, esmagando as frágeis faces brancas. Nós temos que fazer o nosso próprio mundo, cara, e não podemos fazê-lo a menos que o homem branco esteja morto".

Resta, então, a pergunta fundamental. O neorracismo identitário é exceção ou norma? Infelizmente, penso que é norma. Decorre de premissas fundamentais da própria perspectiva identitária, quando passamos da política da busca da igualdade para a política da afirmação da diferença.

Ao afirmar uma identidade, não podemos deixar de distinguir, dividir, separar. Não existe identitarismo que não traga em si algum grau e alguma espécie de fundamentalismo.

Nesse fundamentalismo, se o que conta é a afirmação de um essencialismo racial, reagindo ressentido a estigmatizações passadas, dificilmente os sinais supremacistas não serão invertidos. As implicações disso me parecem óbvias.


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Fonte:
Jornal Folha de S. Paulo (15/01/2022)

Fotos antigas de Pelotas (RS) - III

 

Um pouco da história da belíssima cidade de Pelotas (Rio Grande do Sul), através de fotografias publicadas ao longo do século XX  


Foto antiga de Pelotas/RS: O Mercado da cidade domingo pela manhã (1918)

Foto antiga de Pelotas/RS: Um aspecto da Praça da República (1918)

Foto antiga de Pelotas/RS: Um jardim no bairro DR. Augusto Simões Lopes (1918)

Foto antiga de Pelotas/RS: Aspecto geral clube do Sort Club Pelotas (1918)

Foto antiga de Pelotas/RS: Outro aspecto do clube do Sort Club Pelotas (1918)

Foto antiga de Pelotas/RS: Aspecto do jardim no bairro Dr. Augusto Simões Lopes (1919)

Foto antiga de Pelotas/RS: Residência do Sr. Jorge Campelo Duarte, no bairro Dr. Augusto Simões Lopes (1919)

Foto antiga de Pelotas/RS: 

Foto antiga de Pelotas/RS: Clube do Gremio Sportivo Brazil, campeão pelotense (1919)

Foto antiga de Pelotas/RS: Prédio do Banco Pelotense (1919)

Foto antiga de Pelotas/RS: Locomotiva que levou o deputado José Carlos de Carvalho ao Monte Bonito, município de Pelotas, para visitar as instalações das pedreiras que devem fornecer diariamente 700 toneladas de pedra para as obras da barra do Rio Grande do Sul" (SIC, 1911)

Foto antiga de Pelotas/RS: Um aspecto do Porto, em 1902

Foto antiga de Pelotas/RS: A Igreja Sagrado Coração de Jesus (1924)

Foto antiga de Pelotas/RS: O prédio da Fábrica de Cervejaria Sul Rio-Grandense (1923)

Fotos antigas de Pelotas (RS) - II

Um pouco da história da belíssima cidade de Pelotas (Rio Grande do Sul), através de fotografias publicadas ao longo do século XX  

Foto antiga de PELOTAS (RS): Escola Normal (1950)

Foto antiga de PELOTAS (RS): Posto Texaco, da Firma Rubens Souza Moreira (1950)

Foto antiga de PELOTAS (RS): Entrada do Parque Souza Soares (1918)

Foto antiga de PELOTAS (RS): "Monte-Bonito", descortinando-se ao longe a linda cidade de Pelotas" (SIC, 1912)

Foto antiga de PELOTAS (RS): Um aspecto do bairro Augusto Simões Lopes (1919)

Foto antiga de PELOTAS (RS): Fábrica Ritter e Arroio Santa Bárbara (1909)

Foto antiga de PELOTAS (RS): O antigo Ginásio Gonzaga (1909)

Foto antiga de PELOTAS (RS): Fábrica a vapor de velas e sabão, fundada em 1871, de Luiz Beltrão Barboza

Foto antiga de PELOTAS (RS): F. Behrensdorf & Cia, ferragens e miudezas em geral, à Rua 15 de Novembro, 220 (1909)

Foto antiga de PELOTAS (RS): F. Behrensdorf & Cia, seção de máquinas, à Rua 15 de Novembro, 205 (1909)

Foto antiga de PELOTAS (RS): A antiga Intendência Municipal (1910)

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Fonte:
Acervo da Hemeroteca Nacional Brasileira

Fotos antigas de Pelotas (RS) - I


Um pouco da história da belíssima cidade de Pelotas (Rio Grande do Sul), através de fotografias publicadas ao longo do século XX 

FOTO ANTIGA DE PELOTAS (RS): Rodrigues & Leite, fábrica e comércio de fumos (1910)

FOTO ANTIGA DE PELOTAS (RS): O antigo Liceu Rio-grandense (1910)

FOTO ANTIGA DE PELOTAS (RS): Ponte da Estrada de Ferro sobre o Rio São Gonçalo (1910)

FOTO ANTIGA DE PELOTAS (RS):  "A Torre Eiffel", de Tarcílio M. Fabião, rendas e perfumarias (1910)

FOTO ANTIGA DE PELOTAS (RS): Hotel Aliança, à Rua 15 de Novembro, 218, de Caetano Gotuzzo

FOTO ANTIGA DE PELOTAS (RS): Scholberg & Cia, importadores e fabricantes de armas, à Rua Andrade Neves, 147 (1910)

FOTO ANTIGA DE PELOTAS (RS): Xavier e Duarte, padaria e fábrica de biscoitos (1910)

FOTO ANTIGA DE PELOTAS (RS):  A Biblioteca Pública (1910)

FOTO ANTIGA DE PELOTAS (RS): O Mercado Público (1910)

FOTO ANTIGA DE PELOTAS (RS): Vieira de Souza, armazém de vidros, à Rua 15 de Novembro, 226 (1910)



Fotos antigas de Aracati (Ceará) - I

Um pouco da história visual da bela cidade de Aracati, através de fotografias ao longo de sua história. 


ARACATI (CEARÁ): Um aspecto da cidade após uma avalancha que acometeu a localidade (1960)

ARACATI (CEARÁ):  Um aspecto da bela Matriz, construída em 1785 (foto de 1956)

ARACATI (CEARÁ): "Cruz das Almas", local onde nasceu a velha cidade, que foi outrora o empório das charqueadas (1956)

ARACATI (CEARÁ):  As "mulheres rendeiras" da cidade (1970)

ARACATI (CEARÁ):  Um aspecto do velho Jaguaribe (1970)

ARACATI (CEARÁ):  Cantadores alegrando moradores da cidade (1970)

ARACATI (CEARÁ):  Sítio Santarém ou “Castelo” (sem data)

ARACATI (CEARÁ):  Casa de Câmara e Cadeia  (sem data)

ARACATI (CEARÁ):  O Aracati Futebol Clube (1943)

ARACATI (CEARÁ):  Grupo de excursionistas do antigo CNG em frente a Prefeitura Municipal (1952)

ARACATI (CEARÁ):  Um aspecto da cidade nos anos de 1950

ARACATI (CEARÁ):  Fábrica de Tecido Santa Tereza (sem data)

ARACATI (CEARÁ):  O Mercado público (sem data)

ARACATI (CEARÁ):  Ginásio São José (sem data)



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Fontes:
Revista Manchete, ano 1960
Revista O Cruzeiro, ano 1970
Acervo IPHAN (sem data)
Sport Ilustrado, ano 1943
https://cidades.ibge.gov.br/